
ESCUTA! OLHA!
O SENHOR É DEUS DOS VIVOS...
Testemunhar significa dizer a outros o que vimos e ouvimos. Se nada vemos e nada ouvimos, nada poderemos testemunhar! Se o fizéssemos, falaríamos sem saber; não seríamos credíveis nem convincentes. “O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e o que as nossas mãos apalparam, vo-lo anunciamos “ (1Jo 1, 1-3). Podemos ver porque Jesus, morto e ressuscitado, Se faz presente. Ouvimos porque fala. Mas não basta ter olhos para ver, nem ouvidos para ouvir. Maria Madalena olhou e não viu. Os discípulos de Emaús escutaram mas não ouviram. Só quando comungaram o Espírito do Ressuscitado, os olhos perderam as escamas e os ouvidos se abriram.
Que vemos e ouvimos, então? O mesmo que os discípulos, agora com os olhos e ouvidos, não menos autênticos, da fé, Jesus elevado sobre o monte, vestindo brancas vestes, de rosto resplandecente. Se não O virmos e ouvirmos nas linhas com que se cose a vida, nossa e dos outros, como ressuscitado, nada poderemos testemunhar. Diremos apenas o que os outros disseram, por terem ouvido também, como eco que se propaga até desvanecer. Mas quem se alegra em Jesus Cristo não poderá calar tanta alegria: “Nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Act 4, 20). O testemunho só pode nascer do encontro.
A fé é bela e harmoniosa. Quando se descobre como tesoiro precioso, tem força movedora de montanhas. No entanto, é oferta simples, tão simples que todos a podem acolher. Inesgotável, sempre nova, em cada pessoa única. Confiança nascida da eleição: “Tu és meu filho; eu, hoje, te gerei” (Lc 3, 22). Cada pessoa possui a originalidade que a faz ser quem é. Assim cada cristão. A autenticidade do testemunho será a marca dessa singularidade e riqueza pessoal. Como baptizados, vivemos a mesma vida de Deus: o Espírito Santo. É a testemunha de Cristo por excelência: “quando vier o Paráclito que eu vos enviarei da parte do Pai, Ele dará testemunho de Mim” (Jo 15, 26). Só n’Ele, a comunhão com Cristo e com os irmãos é verdadeira e o testemunho autêntico. O dom do Espírito inicia a vida nova de Apóstolos. Todas as barreiras dos horizontes demasiados estreitos se desmoronam. Agora, vivem a vida do Ressuscitado, comungam o dinamismo do seu Espírito. Por isso, testemunham! Homens, mulheres, jovens, crianças testemunham, como Jesus, que o dom do sangue é semente de vida nova. Assim ao longo dos tempos. Hoje quase a iniciar um novo milénio, o mundo continua a necessitar do nosso testemunho. Que seja alegre! Não é a alegria da Ressurreição? Não é a festa sinal da vida? “Alegrai-vos” (Mt 28, 9); “que a vossa alegria seja completa” (Mt 18, 22); “ninguém vos tirará a vossa alegria” (Mt 18, 22), diz Jesus. O testemunho é autêntico se for alegre. Transparece espontâneo, contagia sem esforço.
Poderemos testemunhar um Deus morto? Sim, podemos! E é o que fazemos tantas vezes. Mas é um falso deus, porque Aquele em quem colocamos a nossa esperança é Deus de vivos, não de mortos; Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob; peregrino entre nós. Colocar Deus longe, inatingível, olhando de cima como quem vigia, é testemunhar um deus morto e ocultar o Deus vivo. Mas se olhar para o ícone verdadeiro da Santíssima Trindade, então vejo Deus próximo, comungando o Amor, no qual sou convidado a entrar “Vinde, benditos de Meu Pai, para o banquete que vos está preparado” (Mt 25, 34).
Porque Deus é amor, amar quem me está próximo será testemunhar Deus vivo, presente. Sabendo-nos filhos amados, veremos e ouviremos o Deus da vida. Assim, testemunhá-l’O-emos vivo.
O mundo que amamos como nosso, tem necessidade desse testemunho, autêntico, alegre.
Fonte: Boletim Igreja Viva (Paróquia de S. Lourenço de Ermesinde)
Etiquetas: Liturgia
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