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segunda-feira, 7 de julho de 2008
Lepra. Leproso. Estas palavras trazem consigo uma conotação grave. Pensamos imediatamente em corpos deformados e atrofiados e a ultima coisa que queremos fazer é estar na proximidade de alguém com esta doença. Esta é uma situação que não se pode manter. Tal como o Sr. João Ferreira (Presidente da Direcção da APARF) disse no seu discurso a meio da tarde que passamos na Tocha, o leproso sofre de 2 maleitas: a doença da lepra, ou seja a sua condição física e o facto de ter lepra, querendo com isto dizer que o leproso é vítima de morte social, que é ignorado e abandonado e impedido de viver em sociedade. Foi para tentar modificar isto que os membros e colaboradores (nos quais eu me incluo) do grupo Sol Nascente, de Ermesinde, se dirigiram ao Centro de Reabilitação Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede, para visitar os leprosos que lá residem e oferecer-lhes a nossa companhia, tempo e atenção. A nossa viagem começou cedo, pelas 8 horas da manhã, quando partimos de Ermesinde rumo ao nosso destino. O nosso grupo era bastante diverso, composto de gente de várias faixas etárias, provando que a mensagem de solidariedade do grupo atravessa gerações. A viagem demorou cerca de 2 horas. Ao chegarmos ao Centro fomos amavelmente recebidos pelo Sr. João Ferreira, o Presidente da APARF. Imediatamente começamos a conhecer alguns dos doentes. A alegria em ver-nos era bem patente na cara de alguns o que por sua vez nos deixou contentes a nós. Muitos doentes sobressaíram nessa visita inicial. Entre eles, lembro-me da Sra. Benvinda, do Sr. Abel, do engraçado Sr. Aparício e da Sra. Ana. A minha 1ª impressão foi bastante positiva. Eu tinha tido acesso a bastante documentação sobre a doença e tinha visto várias fotos dos efeitos que esta tem sobre o corpo portanto estava pronto para o que poderia encontrar. Os efeitos da longa solidão que lhes foi imposta, no entanto, eram bem visíveis em alguns dos doentes e impressionaram-me mais do que as suas feridas físicas. Algo que também é importante salientar são as condições de vida. Embora estas tenham parecido bastante boas e higiénicas, com várias maneiras de ocupar o tempo, o Sr. Carlos Santos foi rápido em dizer-nos que estas condições eram bastante recentes e que até muito recentemente, os doentes viviam em condições deploráveis. Após esta pequena visita fomos a uma missa em que o calendário litúrgico apontava as figuras de S. Paulo e S. Pedro, numa igreja com um interior diferente de tudo o que eu já tenha visto. Mais uma vez fiquei surpreendido com a diversidade etária das pessoas presentes na missa, principalmente numa localidade tão isolada do resto do mundo como aquela. A seguir à missa seguiu-se o almoço e um passeio pelo resto do Centro, que é maior e mais bonito do que parece à 1ª vista. Ao início da tarde, procedeu-se à entrega do cheque resultante da soma angariada pelo Sol Nascente ao Sr. João, que após a entrega proferiu um breve discurso, lembrando-nos das dificuldades que os doentes de lepra passam e garantindo-nos de que o dinheiro seria bem empregue. O resto da tarde foi passado entre os doentes, numa pequena festa que estava a decorrer no jardim. Tivemos mais tempo para interagir com eles e fazer-lhes companhia. Houve ainda tempo para ver as casas onde os doentes que inspiram menos cuidados moram. São casas pequenas e humildes mas mais uma vez fiquei satisfeito com as condições. No final da tarde fizemos as nossas despedidas e começamos o trajecto para casa.
Em conclusão, no final do dia não pude deixar de ir para casa com um sentimento de dever cumprido, de alegria e acima de tudo, de ter sido útil. Ao falar com os doentes o que me chocou mais não foram as suas feridas mas sim a quantidade de tempo em que eles estavam naquele centro. A maioria já está lá há várias décadas, num centro isolado e que até recentemente não tinha diversões com as quais fosse possível passar o tempo. Ninguém merece ficar sozinho durante essa quantidade enorme de tempo e mais uma vez me passa pela cabeça que o mais terrível na lepra não são as feridas físicas mas sim as psicológicas e emocionais.
Pedro Oliveira Colaborador da APARF (via Sol Nascente) 30 de Junho de 2008 Etiquetas: LUTA CONTRA A LEPRA
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